terça-feira, 9 de setembro de 2008

Exposição "Fotógrafos da Vida Moderna"

Se você gosta de fotografia, ou de História da Fotografia, ou tem interesse, como nós, pela questão da Leitura de Forma, então não deixe de visitar a Exposição "Fotógrafos da Vida Moderna", organizada pelo MAC (Museu da Arte Contemporânea) e alocada no Prédio da Bienal, no Ibirapuera (São Paulo - SP)
Esse bem-vindo evento reúne 154 fotos, produzidas na primeira metade do séc. XX por autores que contribuíram significativamente para o desenvolvimento da linguagem fotográfica. Constam da Exposição trabalhos originais de grandes nomes da fotografia, tais como Alexander Rodchenko, Edward Weston, Geraldo de Barros, Henri Cartier-Bresson, Leni Riefhenstal, Man Ray, Pierre Verger, e muitos outros.

A mostra é composta, em sua maioria, por fotos da coleção particular do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira, que estão com o MAC em regime de guarda provisória. 124 fotografias vieram da coleção de Ferreira, 19 do acervo do Museu de Arte Contemporânea, e 11 do Instituto de Estudos Brasileiros da USP (Universidade de São Paulo).

Fotógrafos da vida Moderna
Data: até 28 de setembro/2008
Horário:
de terça a domingo, das 10h às 18h
Local: MAC Ibirapuera
Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3, Pavilhão da Bienal, 3º andar.
Informações: (11) 5573-5255
Entrada gratuita

(Veja uma foto da Exposição clicando AQUI)

Pensamento-Percepção (4): Pessoa

FERNANDO PESSOA (1888-1935)


“A sensação é tudo, afirma Caeiro, e o pensamento é uma doença. Por sensação entende Caeiro a sensação das coisas tais quais são, sem acrescentar quaisquer elementos do pensamento pessoal, convenção, sentimento ou qualquer outro lugar da alma. [...] Caeiro tem uma disciplina: as coisas devem ser sentidas como são. [...] Caeiro não tem ética a não ser a simplicidade”.

Fernando Pessoa

PESSOA, F. Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação. Lisboa: Ed. Ática, 1966

“Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz”
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa), “O guardador de rebanhos”, IX (publicado em 1925).
PESSOA, F. O guardador de rebanhos e outros poemas –
Poesia completa de Alberto Caeiro
. São Paulo: Landy Editora, 2006


“Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela”.
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa), “Poemas inconjuntos”
PESSOA, F. O guardador de rebanhos e outros poemas –
Poesia completa de Alberto Caeiro
. São Paulo: Landy Editora, 2006