sexta-feira, 25 de julho de 2008

Pensamento-Percepção (1): Empédocles, Heráclito, Platão

EMPÉDOCLES(495/490 a.C.—435/430 a.C.)
“[...] considera com teus sentidos como cada coisa é clara. Não dês maior confiança ao olhar do que a que corresponde ao ouvido; e não estimes o ruidoso ouvido acima das claras instruções da língua; e não recuses confiança às outras partes do teu corpo, pelas quais há acesso à inteligência.”
Empédocles, apud CHAUÍ, M. Introdução à História da Filosofia - Dos Pré-Socráticos a Aristóteles. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1994.

HERÁCLITO (~540 a.C.—470 a.C.) (comentário)
“Heráclito, devido ao fato de ainda acreditar que o homem dispunha de dois órgãos para o conhecimento da verdade — a sensação e a razão —, considerava [...] que, tratando-se destes dois órgãos, a sensação não é digna de confiança, ao passo que colocava a razão como critério. De fato, ele recusa a sensação, dizendo textualmente: os olhos e os ouvidos são maus testemunhos para as almas surdas à sua linguagem. O que é o mesmo que dizer que ‘é próprio das almas bárbaras atribuir fé aos sentidos desprovidos de razão’.”
Sexto Empírico (falecimento ca. 200), comentando o pensamento de Heráclito de Éfeso, apud Les Écoles Présocratiques. Ed. Folio-Gallimard, 1991. (Tradução: Ailton Bedani)

PLATÃO (428/27-347 a.C.)
"[...] A visão, ou mesmo a audição, contém, para os homens, uma verdade qualquer?
[...] Se, entre as percepções do corpo, a visão e a audição não são nem claras nem exatas, imagine então as outras. Pois todas são, a meu ver, mais imperfeitas que aquelas duas.
[...] Em qual momento, diz Sócrates, a alma apreende a verdade? Ora, não resta dúvida de que, quando a alma se serve do corpo para tentar examinar alguma coisa, é totalmente enganada por ele [...]”
Platão, no Fédon, apud La Sensation, Ed. Flammarion, 1997. (Tradução: Ailton Bedani)

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