terça-feira, 8 de abril de 2008

Kilkerry - Sobre um mar de rosas que arde...

"Sobre um mar de rosas que arde
Em ondas fulvas, distante,
Erram meus olhos, diamante
Como as naus dentro da tarde.

Asas no azul, melodias,
E as horas são velas fluidas
Da nau em que, oh! alma, descuidas
Das esperanças tardias".

Pedro Militão Kilkerry (1885-1917)

"Espécie de simbolista transviado ou desgarrado, este boêmio [Kilkerry] tinha fama de maldito nas rodas da capital baiana. Nada deixou em livro e, além de esparsa como bibliografia, sua poesia é fragmentária como linguagem — tão descontínua e desconexa que despertou a atenção dos concretistas para o pioneirismo do poeta em relação às vanguardas nacionais, a começar pelo modernismo, passando pelo surrealismo e chegando ao próprio concretismo. Sua sintaxe hermética e seu vocabulário enigmático fazem supor o delírio dum alucinado, mas logo desfazem tal impressão por força da rigidez formal do soneto. Resta o impacto do nonsense que, a todo momento, produz o efeito dum bestialógico, aliás muito eficaz se declamado em público, perante platéia jovial. Talvez não fosse a intenção do poeta, nem a de Augusto de Campos ao resgatar-lhe a importância. Mas que nosso mallarmaico baiano tem algo de maluco-beleza, lá isso tem..."
Glauco Mattoso [ disponível em http://paginas.terra.com.br/arte/PopBox/sonetario/kilkerry.htm ]

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