segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Poesia - "Solidão marítima" - Nancy Romanelli



em forma de texto, apenas:

Solidão Marítima

Ah! Esse meu pensamento marítimo...
Povoado por praias e ilhas distantes
Que jamais chegarei a habitar...

Ah! Essa minha vida oceânica...
Vida Mediterrânica e Pacífica
Habitada por desejos cortados pela linha do horizonte
Esse infinito limite entre céu e mar...

Ah! Essa minha solidão marítima...
Repleta de baias, golfos e estreitos
Misteriosa como as águas do Índico...

Como navegador que não sou
Com os instrumentos que não tenho
Sigo vagando em minha nau errante
Avistando praias e ilhas distantes
E povoando minha fantasia de possibilidades e sonhos
Qual o quê...
As praias e ilhas não têm cais nem porto
Belas e solitárias praias e ilhas
Que vivem sempre a habitar esse meu pensamento marítimo...

Nancy Romanelli - 28.12.02
[+ produções no site da poetisa]

sábado, 29 de dezembro de 2007

Haicai - "Chuva de verão"



em forma de texto, apenas:

chuva de verão.
narinas vibram
com o cheiro da terra.

ailton bedani - dez/07

Poesia - "O rio à noite é um haicai



em forma de texto, apenas:

o rio à noite é um haicai

peixes noturnos,
qual é o seu metabolismo
abaixo do espelho frio?

anoréxicas cobras d’água −
no místico escuro
vocês são ninjas?

névoa, tão alva e medieval.
é o teu combustível
que inflama o breu?

sereníssimo buda
que do barco mira o negrume,
responda rápido: como se acende a luz de si mesmo?

em gélido e uterino espaço sideral
vejo-me flutuando em canoa cósmica.
será que matei um johnny walker?

ailton bedani - 21.09.04

Poesia - "Entrelinhas" - Nancy Romanelli (2)



Na forma de texto, apenas:

ENTRELINHAS

Entre o suspiro fustigante da lua
O circundar sitiante da terra
O arcabouço postural e imperioso das copas das árvores...

Entre o abrasante e incinerante filamento solar
O sibilar das sonatas entoadas pela brisa
O voluptuoso e pictórico espaço sideral...

Está o teu sorriso...

Entre mim
Entrelinhas
Entretanto
Entre tantos...

Nancy Romanelli - 12.11.02
[+ produções no site da poetisa]

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Poesia - Trecho de "Axioma" - Orides Fontela

o espelho dissolve
o tempo

o espelho aprofunda
o enigma

o espelho devora
a face

[Trecho do poema Axioma,
de Orides Fontela (1940-1998)]

Frase de Nietzsche (1)

"Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o"
Friedrich Nietzsche (1844-1900)




Imagem disponível em http://www.org2.com.br/nietzsche.htm

Poesia - "Lição da chuva" - Nancy Romanelli (1)



Na forma de texto, apenas:

lição da chuva

aprendi com a gota
lenta
na gruta oca
que de tão santa
fez gota leve
gota livre
gota a gota

desabei com o vento
alto
da nuvem calma
que de tão densa
verteu água
verteu ventre
verteu alma

evaporei com a onda
solta
no tempo escasso
que de tão pouco
vagou cedo
vagou todo
vagou louco
deslizei no espaço, escorri
desabei, caí
soltei alma destilada ao relento
revivi
cíclica
outra
decantada
do nascedouro à nascente

Nancy Romanelli - 25.04.05
[+ produções no site da poetisa]